Ética Profissional
O Companheirismo não é possível se eu reconhecer no meu próximo um competente, um troca-tintas ou um indeciso.
A ética profissional é, nas relações entre os homens, a prática, por cada um de nós, os principais valores universais, reconhecidos e aceites no nosso meio. Resumi-los-ia em: Verdade, Justiça, Cumprimento de Palavra e Contratos, Simpatia e amizade.
Este Valor fundamental em Rotary não é um valor Rotário. É um valor humano que é suposto em cada um de nós para sermos convidados ao Rotary. O Companheirismo é um valor de Rotary; a ética profissional é suposta pelo Rotary. E é, fundamentalmente, a preocupação por esta ética que justifica a porta apertada para entrar no nosso clube.
A Ética profissional é um código interno de comportamento que nos leva à prática de atitudes consideradas corretas nas relações humanas e de negócios. Mas não só.
Não é freqüente encontrarmos quem na vida profissional seja exemplar, ao mesmo tempo em que descuidado na sua vida familiar. Não é natural um dualismo assim de comportamentos. E daí que Rotary tenha uma prática de ir mais longe – e recomende aos seus membros uma exemplaridade também na vida familiar, também na vida religiosa, ou, até, na vida política.
Rotary não indica a ninguém quaisquer valores familiares, religiosos ou políticos. Rotary não indica que a religião Católica seja o seu valor, que um determinado Partido político corresponda aos ideais rotários – ou que o divórcio seja um mal em si. Rotary indica-nos, apenas, que cada um deve ser cumpridor da sua Religião, dos seus ideais políticos, da sua situação familiar. Rotary não define tais valores; pretende, sim, influenciar comportamentos.
Têm, pois, lugar entre nós todos aqueles com situações definidas, assumidas e cumpridas. Porque não somos uma Religião nem uma Política – mas porque somos um grupo de homens que mutuamente se respeitam, se conheceram e se tornaram amigos…
Este valor fundamental Rotário, a ÉTICA PROFISSIONAL, ressaltará de uma prática Rotária das mais bem conseguidas nestes 90 anos de ROTARY: a prova quádrupla.
A PROVA QUÁDRUPLA é a marca que Rotary imprime nos hábitos de pensar de cada elemento seu. E pretende Rotary que, nas nossas decisões, cada um de nós se confronte com estes princípios:
- é justo o que vou decidir?
- é verdade o que vou dizer?
- a minha decisão vai poder estimular novas amizades ou consolidar as existentes?
Penso, na realidade, que a Prova Quádrupla se poderia reduzir a uma PROVA TRIPLA: com efeito, os 2 últimos princípios reduzem-se, com vantagem, a um só.
A PROVA QUÁDRUPLA é o nosso código de ÉTICA PROFISSIONAL.
Todos concordarão, pois, comigo que a ÉTICA PROFISSIONAL alicerçada na PROVA QUÁDRUPLA constitua o 2º Valor fundamental de Rotary.
SERVIR / AVENIDAS DE SERVIÇO
E partamos já na busca do outro Valor Fundamental de Rotary. Os 2 valores encontrados são valores internos, são um enriquecimento pessoal. Com estes 2 valores teremos um grupo de homens dignos, eficientes, cumpridores, formando um bloco pela amizade entre si.
Rotary aponta-nos um 3º valor fundamental: SERVIR. Para quê um grupo de homens assim? SIRVAM… Diz-nos Rotary.
E a quem? Sirvam o próprio Clube (Serviços Internos); procure cada um a sua própria valorização profissional e a dos seus Companheiros (Serviços profissionais); Sirvam a Comunidade local (Serviços à Comunidade) e sirvam, mesmo, a Comunidade Internacional ( Serviços Internacionais).
Não terá discussão que o 3º Valor fundamental para Rotary seja o serviço que cada um deve prestar, enquadrado pelas Avenidas de Serviço.
Estamos, pois, Companheiros, inseridos numa Estrutura perfeita, em que é suposta a amizade de Companheiros profissionalmente diferenciados, todos de elevada craveira moral, competentes no exercício das suas profissões, que deverão SERVIR o mundo que os rodeia.
Um grupo assim assuma-se como grupo de amigos, que sirvam – sem se esquecer de si próprios.
Temos que nos assumir como homens ativos no exercício da nossa profissão – e não, apenas, como homens bonzinhos, que se juntam semanalmente para discutir como poderemos ser úteis aos outros, esquecendo-nos de nós próprios.
Não faz sentido, Companheiros, que tanto nos tenhamos alheado aqui das nossas profissões, e, até, interesses – e não tenhamos a coragem e companheirismo de mutuamente nos questionarmos sobre negócios. Ou somos, de verdade, Companheiros – e damos públicas provas de mútua confiança – ou não o somos de verdade – e evitamo-nos uns aos outros, para irmos negociar com estranhos.
Não é idéia minha de Rotary que ele seja uma clausura negocial, fechada a todos os estranhos; mas penso que cada um de nós deve sentir algum compromisso com os Companheiros que aqui nos sentamos e convivemos em volta desta mesa.
Proponho Companheiros: enquadrados pelo exercício das nossas diversíssimas profissões, abramos o nosso Clube a perscrutar o mundo dos negócios na nossa região – e assumamos atitudes de desafio ao seu desenvolvimento
Encarado por esta óptica, Rotary deverá ser também um motor de progresso da sua região – e atrairá certamente ao seu convívio os empresários mais dinâmicos do nosso meio que ainda cá não estejam.
Deveremos entre eles divulgar nosso posicionamento nos negócios, pela publicação da PROVA QUÁDRUPLA – de maneira que todos reconheçam os princípios éticos por que nos regemos – e saibam da confiança total que em nós podem colocar.
Companheiros: nós parecemo-nos, às vezes, com um grupo de homens bons, à conquista de uma perfeição etérea. Mas não é isto Rotary, e nem deve ser.
Desculpem Companheiros, por termos-vos enganado. Nós, Veteranos e, com maior responsabilidade, ainda, os Fundadores, nós é que vos demos do Rotary uma imagem errada: uma noção passiva, com princípios internos para consumo nosso, esquecendo que Rotary é, deve ser, também um meio de conquistarmos e enriquecermos a sociedade.
A PROVA QUÁDRUPLA surgiu em 1932 por iniciativa de um Companheiro que se viu forçado a descalçar uma bota bem apertada. Herbert J.Taylor foi encarregado, pelos credores da Club Aluminium Company, de evitar a falência e fecho da empresa. Tratava-se de uma distribuidora de utensílios de cozinha e de outros artigos domésticos.
Era uma empresa em dificuldades, inserida num mercado de concorrentes fortes.
Seria muito difícil manter-se.
O nosso Companheiro Herbert Taylor teve uma idéia: ser verdadeiro, ser justo, ser agradável para com clientes e fornecedores.
Em tudo o que ele, ou os seus colaboradores, afirmam terá que haver verdade; na definição de preços, ou na prestação de serviços, terá que imperar a justiça – e tudo de tal maneira executado que da relação comercial surja sempre a amizade.
A empresa, com tais princípios, foi recuperada – e a prova quádrupla adotada como norma de conduta rotária.
Não é, pois, estranho, Companheiros, que a linguagem Rotária seja uma linguagem do mundo dos negócios. Nós às vezes confundimos Rotary com outra coisa… e até se chega aqui a pedir desculpa por cada um divulgar os seus justos interesses empresariais…São distrações de lugar.
Enunciei 3 princípios fundamentais de Rotary: Companheirismo, Ética profissional, Servir. Indiquei os meios da sua prática: Freqüência, Prova Quádrupla, Avenidas de Serviço. Fiz um desafio: tantos homens juntos deverão fazer muito mais pelo nosso meio: descobrir oportunidades de desenvolvimento.
Falta enunciar o mais importante: vivamos e atuemos de acordo com estes princípios; vivamos como Companheiros que gostem de se ver, que mutuamente em si confiem, e publicamente se defendam.
Só pela nossa vivência se concluirá quanto vale a pena ser Rotariano.
